Quando precisamos conhecer o nosso próprio lugar. Quando precisamos saber o que nós mesmos somos capazes de fazer. Nesse sentido, o projeto MAPADOC – Cartografias de Culturas Cearenses deseja contribuir no processo de descoberta e reconhecimento de nossa extensa aldeia, o Ceará. Nossa proposta é de uma plataforma voltada para pesquisa, formação, difusão e democratização na área da cultura. O intuito é revelar nossas gentes, costumes, práticas, memórias e riquezas, dar visibilidade às coletividades e tradições com pouca ou nenhuma presença no circuito midiático do estado. permitindo amplo acesso desse conteúdo principalmente para os próprios cearenses.

    Nossa história começa em 2015. Contando com apoio cultural da Secretaria da Cultura do Ceará (SECULT), realizamos a primeira edição do projeto, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE), com objetivo de mapear artistas cearenses. Os resultados materiais da iniciativa incluem uma série de documentários, um livro de crônicas e um mapa interativo com perfis e informações de artistas cadastrados.

    O processo de conhecer comunidades e pessoas causou forte impacto no campo dos nossos desejos e expectativas. Na inquietude da experiência, entendemos a importância de encontrar outras variáveis para o projeto, a partir de novas demandas culturais e sociais que foram surgindo. A segunda edição abraça de vez a relação entre audiovisual, produção artística e espaço geográfico, procurando, além de realizar um mapeamento cultural, se utilizar de cartografias para produzir conteúdos audiovisuais e literários a partir de manifestações culturais locais, entendendo cultura de forma ampla e mutável. O projeto tem perspectiva de aprofundar seu impacto social, alcançando as outras sete macrorregiões do estado do Ceará (Cariri/Centro Sul, Baturité, Litoral Oeste, Litoral Leste/Jaguaribe, Sobral/Ibiapaba, Sertão dos Inhamuns, Sertão Central). A segunda edição corresponde à etapa Litoral Oeste, com atividades em seis lugares: Flexeiras, Assentamento Maceió, Tremembé da Barra do Mundaú, Tremembé de Almofala, Caetanos de Cima, Tatajuba, comunidades costeiras que sobrevivem à base de pesca artesanal e agricultura tradicional, duas delas indígenas – todas passam por conflito nos seus territórios, gerando como produtos um mapa interativo, programa de entrevista, série de documentários para TV e revista impressa.

    Nessa etapa, foi estabelecida uma rede de parceiros e colaboradores — entre artistas, produtores, lideranças comunitárias — que residem nas cidades contempladas, movimentando as práticas educativas, multiplicando o poder de transmissão dos conteúdos e colaborando na produção de entrevistas, documentários e perfis de artistas, para a web e a revista impressa. O projeto contempla as mais diversas expressões da culturais, na amplitude de saberes e fazeres que compõem o tecido da coletividade de um lugar.

    O projeto aposta no direito à cultura e à arte, favorecendo o reconhecimento de nossas riquezas simbólicas e o sentimento de pertença indivíduo-prática-território. Trata-se de uma tecnologia social que, por meio de uma atuação cartográfico-afetiva em torno das experiências coletivas e formas de invenção das localidades, mobiliza as comunidades pesquisadas a usufruírem de seus próprios valores e tradições, produzindo saberes sobre si enquanto sujeitos de uma cultura e encontrando o reconhecimento desta entre seus membros.

    Com apoio da SECULT e realização da Trama de Olhares, o projeto une a formação em audiovisual à execução de cartografias de culturas, valorosas ferramenta para a atuação de gestores públicos, produtores, ativistas e pesquisadores. É uma experiência que não apenas registra e divulga a memória da cultura cearense, mas também fazer parte da formação e sensibilização dos artistas para um mergulho em suas comunidades e saberes, aproximando pessoas, formando redes e descobrindo um Ceará grande e culturalmente rico.

Trama de Olhares

    Tramada por fotógrafos, artistas visuais e realizadores em audiovisual, o coletivo começa suas ações em 2014, composto por “livres realizadores” e egressos do curso de Cinema da Universidade Federal do Ceará. Visa a criação autoral em cinema, vídeo e fotografia, assim como a reflexão e a difusão da produção audiovisual cearense. O Coletivo conduz a 2ª edição de seu projeto MAPADOC / Cartografias de Culturas cearenses – apoiado pela oSecult/Ce. Foi ganhador do Prêmio de melhor Roteiro no Cine Ceará 2017 e aquisição canal Brasil de melhor curta com ‘Memórias do Subsolo ou o Homem que cavou até encontrar uma redoma’. Participou do Festival Concreto 2016 de Arte Urbana com ‘Miráculo’ intervindo com monóculos na paisagem da cidade.

Colaborou em 2017 com o ‘68º Salão de Abril Sequestrado’ em Fortaleza com a ação coletiva Álbum Compartilhado. Teve os trabalhos ‘Krahô espectros de uma travessia’ e ‘Desface: ficções biográficas’ à mostra em salas de exposição e eventos como a temporada de arte cearense do centro dragão do mar e a mostra Sesc Cariri de Culturas. Expôs o ‘Projeto Perecível’ de imagens reveladas na clorofila de folhas na Mostra de Fotografia Etnográfica da RAM – Reunião de Antropologia do Mercosul no Museu Juan Yaparí (Argentina). O projeto resultou do grupo de trabalho ‘Imagens Não-Reveladas’ orientado por Silas de Paula e Rian Fontenele entre 2016 e 2017. Em 2018 publicou ‘Perecível’, livro de fotografia e poesia.